Um dos principais aprendizados em grandes empresas é entender os interesses de cada departamento. Em multinacionais ou ONGs, cada área tem suas metas, que deveriam se alinhar ao objetivo maior da organização.
Ferramentas como o BSC (Balanced Scorecard) e metáforas como o voo dos gansos ou a canoa havaiana refletem um mesmo conceito: só avança quem está em sincronia.
Entretanto, enfrentamos desafios comuns em várias organizações, como conflitos de interesse e a competição entre os 'carreiristas', que prejudicam o desempenho de áreas que não são as suas.
Quem já trabalhou no mercado sabe como esses processos funcionam. No contexto do desenvolvimento sustentável, a situação não é diferente. Precisamos interagir constantemente com profissionais de metas variadas.
O relatório Axios HQ 2024, da plataforma de comunicação Axios HQ, mostra que apenas 14% dos funcionários estão alinhados com as metas organizacionais.
No Brasil, 78% das empresas buscam clareza estratégica, mas 51% ainda consideram isso um obstáculo, segundo dados de 2025 da Ação Integrada e da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial).
No campo da sustentabilidade, o desafio é ainda maior: lidar com materialidade e impacto exige o domínio de linguagens como 'financês', 'marketês' e 'legalês', que muitas vezes complicam os processos. Na prática de ESG, entender a linguagem de cada área é essencial.
Os indicadores só são eficazes quando toda a empresa se envolve com questões ambientais, sociais e de governança, alinhadas aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU.
Quem trabalha com empreendedorismo de impacto também precisa ser poliglota organizacional, compreendendo as linguagens técnicas de saúde, educação e outras áreas — não como jargão, mas como requisito para gerar impacto.
Além disso, é necessário ter conhecimento em gestão, como finanças e planejamento. Investidores, patrocinadores e doadores exigem tanto a parte técnica quanto clareza na gestão financeira. Falar o 'financês' é imprescindível.
Não conseguiremos ser fluentes em todas as linguagens organizacionais ou técnicas de impacto. Assim, como alguns autores sugerem, é vital ter uma comunidade ou se cercar de bons profissionais que possam traduzir e discutir esses temas.
Para um empreendedor solitário ou uma ONG de uma única pessoa, a situação é complicada. É nesse contexto que ter bons amigos e conselheiros ativos se torna crucial.
Em corporações ou organizações de impacto, profissionais de sustentabilidade precisam ser cada vez mais poliglotas, dominando o básico de cada área, desde administração até o impacto positivo.
Só assim a sustentabilidade deixa de ser vista como um tema de 'ecochatos' e 'social boring' e passa a se comunicar na linguagem do mundo organizacional, onde a transformação real acontece.
Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
