O Canal de Pinglu, que se estende por 134 quilômetros em Guangxi, promete reduzir significativamente o tempo de navegação.
Na imagem, obra no Canal de Pinglu em 2025 Xinhua.
A China começou os testes de navegação no Canal de Pinglu, um projeto de US$ 10 bilhões com 134 quilômetros de extensão no sul do país. A inauguração está prevista para setembro e a expectativa é que isso diminua muito o tempo de transporte marítimo para o Sudeste Asiático.
Esse canal liga o rio Xijiang ao golfo de Beibu, na região autônoma de Guangxi, criando uma rota marítima direta para o sudoeste da China.
Esse grande projeto faz parte de uma tendência maior de construção de canais provinciais em todo o país e levanta preocupações entre analistas sobre os riscos do aumento da dívida dos governos locais.
Antes, as cargas do sudoeste precisavam viajar centenas de quilômetros a mais para o leste, passando por Guangzhou, até chegar ao oceano. A nova hidrovia elimina esse desvio e encurta a rota em mais de 560 quilômetros, reduzindo o tempo de transporte das exportações agrícolas para os mercados do Sudeste Asiático de cerca de 15 dias para menos de 3 dias.
As autoridades locais estimam que o canal movimentará 108 milhões de toneladas de carga por ano até 2035, principalmente carvão, minerais e produtos agrícolas. Elas acreditam que a nova infraestrutura também diminuirá os custos logísticos e atrairá polos industriais para as cidades ao longo do trajeto.
O projeto teve um custo de aproximadamente US$ 10,7 bilhões, o que equivale a mais de US$ 79 milhões por quilômetro. Os governos central e regionais cobrem metade do custo, enquanto o restante será financiado por títulos específicos, capital corporativo e empréstimos bancários geridos pela Pinglu Canal Group Co. Ltd.
Apesar do alto custo e dos impactos ambientais, que exigiram a realocação de quase 10.000 manguezais adultos, o projeto gerou uma corrida por novas obras de infraestrutura em todo o país.
Províncias do interior, como Hunan e Jiangxi, estão desenvolvendo seus próprios projetos de hidrovias bilionárias para fomentar o crescimento regional.
A expansão dos projetos de canais preocupa especialistas em transporte, que alertam que a necessidade de grandes investimentos pode aumentar a dívida dos governos locais.
Zhao Yifei, professor associado da Universidade Jiao Tong de Xangai, destacou que os governos locais não devem superestimar os benefícios econômicos dos canais. Ele argumenta que o retorno econômico depende de um planejamento industrial eficaz, e não apenas da construção de infraestrutura.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 9 de junho de 2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
