O ministro da Fazenda, Dario Durigan, acredita que o índice de inflação pode ser melhorado, mas não pretende mudar a meta de 3%.
Ele comentou que o índice deve refletir as novas tendências de consumo, como serviços de streaming e computação em nuvem.
Na segunda-feira, 15 de junho de 2026, Durigan destacou que o cálculo da inflação precisa se ajustar aos novos hábitos de consumo da população. Ele acredita que o indicador atual não captura adequadamente a importância crescente dos serviços digitais.
Essas declarações foram feitas em uma entrevista à Warren Investimentos. Durigan se mostrou otimista em relação a possíveis mudanças na metodologia do índice, desde que sejam baseadas em critérios técnicos e visem melhorar a medição da inflação.
"A composição da inflação está desatualizada. O nosso modelo ainda dá peso a itens que hoje não são tão relevantes. Serviços como assinaturas de streaming e computação em nuvem têm um peso muito maior do que itens que fazem parte da metodologia há décadas. O mundo mudou", afirmou.
Ele também comentou que essas mudanças não devem ser vistas negativamente: "Vejo com bons olhos. Não considero mudança como algo ruim, desde que seja feita com boas intenções".
Durigan manifestou apoio a possíveis melhorias no Boletim Focus, que é a pesquisa semanal do Banco Central sobre expectativas de inflação, juros e crescimento econômico.
De acordo com ele, a divulgação de mais dados e a inclusão de novos indicadores podem fortalecer a institucionalidade do país, desde que as mudanças sejam realizadas pelo Banco Central e pelas instituições envolvidas na pesquisa.
"Se hoje se percebe que o Focus pode ser aprimorado para oferecer mais dados, mais transparência e incluir outros índices, considero importante avançar nessa direção", disse.
Embora defenda discussões sobre a metodologia dos índices, o ministro reafirmou que não pretende alterar a meta fixa de inflação, que permanece em 3%.
Durigan também mencionou que há espaço para melhorar a coordenação entre a política fiscal e a monetária, mas reforçou seu compromisso em fortalecer a disciplina fiscal: "A política fiscal impacta a monetária, e meu papel é fazer o melhor possível para o país".
