O PL, sob a liderança de Valdemar Costa Neto, destinou R$ 600 mil do fundo partidário para a ONG Passos da Liberdade, ligada a um pré-candidato do partido no Rio Grande do Sul. A ONG está produzindo um documentário chamado 'Nós', que aborda regimes autoritários comunistas, com recursos provenientes de emendas parlamentares.
O documentário, anteriormente intitulado 'Genocidas', recebeu R$ 860 mil em emendas dos deputados do PL Mario Frias (SP), Marcos Pollon (MS) e Eduardo Bolsonaro (SP), que perdeu o mandato em dezembro. A estreia do filme está marcada para 15 de julho, em Brasília.
A Passos da Liberdade recebeu R$ 150 mil por mês do PL de janeiro a abril deste ano. A ONG, localizada em Porto Alegre, é presidida pelo pré-candidato a deputado estadual Rodrigo Cassol Lima.
Conforme uma nota fiscal obtida, o pagamento foi feito pela 'prestação de serviços de assessoria em comunicação e de produção audiovisual no Estado de Minas Gerais'.
Criada em 2023, a ONG é registrada como uma associação 'de defesa de direitos sociais'. Com uma abordagem conservadora, o filme que estão produzindo se concentrará nos regimes autoritários comunistas que afetaram a Europa após a Segunda Guerra Mundial.
O documentário é dirigido por Gustavo Lopes, que foi secretário nacional de Audiovisual em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro. Ele também ocupou cargos na comunicação do Ministério do Trabalho e na Casa Civil, além de ter escrito livros conservadores como 'Guerra Cultural' (2023) e 'Liberdade Ameaçada' (2025), este último em colaboração com outros nomes da direita, incluindo o deputado Marcos Pollon.
Rodrigo Cassol Lima é coprodutor e responsável jurídico do documentário, enquanto Doriel Francisco é mencionado como corroteirista. Ele é proprietário da Dori Filmes, que produziu o documentário 'A Colisão dos Destinos', lançado em maio e que narra a trajetória de Bolsonaro desde a infância até sua ascensão ao cargo de presidente. O filme explora aspectos pessoais que influenciaram a vida política de Bolsonaro.
De acordo com o trailer, o documentário 'Nós' foi filmado em locais como Polônia, Alemanha, República Tcheca e Hungria. O filme não tem relação com o ex-presidente Bolsonaro e não deve mencioná-lo.
Líderes da direita devem ser convidados para a estreia do documentário no Cine Brasília, mas ainda não há uma lista de confirmados, segundo fontes próximas à produção.
A Passos da Liberdade confirmou que há um contrato com o PL para prestação de serviços de comunicação institucional, incluindo a entrega de um produto audiovisual.
A ONG afirmou que a contratação é de natureza institucional e não se confunde com pré-campanha, campanha eleitoral, propaganda eleitoral ou promoção pessoal de qualquer dirigente da entidade.
Sobre Rodrigo Cassol Lima, a ONG declarou que não há remuneração, honorários ou qualquer benefício pessoal ao diretor-presidente em decorrência desse contrato.
A ONG também informou que a contratação não está relacionada a projetos do Ministério da Cultura.
A entidade declarou não ter qualquer ligação com o filme 'Dark Horse', que gerou polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que solicitou financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção. O filme retrata, com elementos ficcionais, a eleição de Bolsonaro em 2018.
A Passos da Liberdade afirmou que 'são iniciativas distintas, com objetos, fontes, finalidades e regimes próprios' em relação ao filme que causou a crise na pré-campanha do PL à Presidência.
Sobre o contrato com o partido, a ONG informou que não pode revelar detalhes. 'Por força de cláusula de confidencialidade, a associação está impedida de comentar detalhes sobre o conteúdo, formato, estratégia, cronograma ou demais elementos internos do produto contratado', disse.
A associação enfatizou que atua dentro dos limites legais e contratuais, mantendo a separação entre suas diversas iniciativas, projetos e obrigações institucionais.
O PL não se manifestou até a publicação da reportagem, apesar de ter sido contatado por meio de sua assessoria desde sexta-feira (26).
Procurado desde sexta-feira (26) por meio de sua assessoria, o PL não se manifestou até a publicação da reportagem.
