Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, afirmou que o PT da Bahia está evitando uma CPI por medo das investigações sobre o Banco Master.
Essa declaração de Flávio veio após uma operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia.
PODER360 18.jun.2026 (quinta-feira) - 18h13
Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta quinta-feira (18.jun.2026), Flávio Bolsonaro disse que o foco das investigações sobre o Banco Master está no PT da Bahia.
Na mesma quinta-feira (18.jun.2026), a Polícia Federal realizou uma operação que visou o senador Jaques Wagner. Essa ação faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master.
"Sabemos que a origem de todo esse esquema está no PT da Bahia. Existem outras lideranças do partido que também podem ter agido para beneficiar Augusto Lima, ex-sócio do Master, especialmente naquele estado", afirmou Flávio.
Durante a entrevista, Flávio também mencionou que o PT deve continuar se opondo à criação de uma CPMI (Comissão Mista Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso.
"Sempre pedi uma CPI porque minha preocupação é separar o certo do errado. Quando surge um caso como o de Jaques Wagner, fica claro por que ninguém do PT assina a CPI do Master. Eles têm algo a temer, algo que eu nunca tive. Agora entendemos a resistência deles em assinar a CPI e o medo de uma investigação", disse o senador.
Mais cedo, Wagner afirmou que fez questão de assinar o pedido para a criação da CPMI que investiga o Master. Ele, que está sob investigação da Polícia Federal por possíveis vantagens indevidas em sua atuação no Congresso, disse não ter medo das investigações e negou qualquer vínculo comercial com o Banco Master ou com a Credcesta, um cartão de crédito consignado que surgiu no governo da Bahia.
"Eu assinei a CPI do Banco Master. Não sei o que ela poderia acrescentar, pois as investigações já foram longe e, na minha visão, tudo está exposto. Mas assinei para mostrar que não tenho preocupações em relação a essa CPMI", declarou.
Em maio, um áudio atribuído a Flávio foi divulgado pelo site Intercept Brasil. Nele, o senador conversava com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, sobre um pagamento de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar a produção do filme "Dark Horse", que retrata a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desse total, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025. O senador nega qualquer irregularidade e não é alvo das investigações da Operação Compliance Zero.
As investigações sobre fraudes no Banco Master fazem parte da Operação Compliance Zero, que foi autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A primeira fase da operação resultou na prisão provisória dos principais executivos do banco, que foi liquidado pelo Banco Central. Em novembro, o TRF-1 permitiu que os investigados usassem tornozeleiras eletrônicas e voltassem para casa.
O caso passou a ser analisado pelo STF em dezembro de 2025, sob a supervisão do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a segunda fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro, quando André Mendonça assumiu. Vorcaro foi preso novamente no início de março e está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele apresentou uma proposta de delação premiada, que o ministro do Supremo deve avaliar nas próximas semanas.
1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes da operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro; 2ª fase (14.jan.2026) – a PF fez buscas em endereços ligados a Vorcaro, apreendendo carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões, com o objetivo de investigar o uso de fundos fraudulentos para esconder os problemas financeiros do Master. Leia as decisões que autorizaram a operação; 3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro foi preso novamente. Segundo a PF, ele tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina a dois funcionários do Banco Central. No mesmo dia, um homem que trabalhava para Vorcaro tentou se matar enquanto estava sob custódia da PF e faleceu em 6 de março. Leia a decisão que autorizou a ação; 4ª fase (16.abr.2026) – a PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, investigado por permitir operações sem lastro com o Master. A PF afirma que Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. Leia a decisão que autorizou a ação; 5ª fase (7.mai.2026) – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de investigações. A PF mencionou o pagamento de propina de Vorcaro a ele, que negou. O relator do caso no STF, o ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro "extrapola a amizade". R$ 18,85 milhões foram bloqueados. Leia a decisão que autorizou a operação; 6ª fase (14.mai.2026) – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso, acusado de articular um grupo de intimidação e espionagem para o ex-banqueiro, segundo a PF. Leia a decisão que autorizou a operação; 7ª fase (19.mai.2026) – a PF deflagrou uma operação para investigar o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao Master. Mendonça afastou um perito da corporação; 8ª fase (26.mai.2026) – o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão, com investigações sobre crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. A PF estima que o total movimentado seja de R$ 3 bilhões. Leia a decisão que autorizou a operação; 9ª fase (18.jun.2026) – o senador Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo de medidas cautelares autorizadas por André Mendonça, que o proibiu de atuar com empresas ligadas ao caso Master e de se comunicar com investigados, exceto em situações familiares. Leia a decisão (PDF — 256 kB).
