Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, por suspeitas de ter atuado politicamente a favor do Banco Master.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) negou, nesta quinta-feira (18), qualquer relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Ele é investigado na nona fase da Operação Compliance Zero, que aponta uma proximidade entre eles por meio de um ex-sócio.
Wagner revelou que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mais cedo, expressando solidariedade pela operação e indicando que ele permanecerá como líder do governo no Senado.
A Polícia Federal explicou que a nova fase da operação investiga se o senador recebeu vantagens financeiras do Banco Master para favorecer interesses privados no Congresso, incluindo a chamada 'Emenda Master', que aumentava os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e alterava legislações sobre empréstimos consignados.
O senador destacou que foi contra a emenda, afastando qualquer envolvimento em interesses políticos de Vorcaro. Ele mencionou ter uma relação institucional com Ciro Nogueira (PP-PI), mas sem ligação com essa proposta.
"Minha relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero. Nunca tive maiores entendimentos com ele. O único contato foi na venda do Credicesta. Estive com Daniel apenas duas vezes: quando ele se tornou sócio de Augusto Lima e quando me pediu uma indicação para a área jurídica do banco", disse o senador em entrevista à BandNews TV.
Wagner se referiu ao cartão de empréstimo consignado criado após a venda de uma rede estatal baiana de supermercados para Augusto Lima, sócio de Vorcaro no Banco Master. Lima adquiriu a rede com um fundo de investimentos espanhol, que depois repassou o negócio ao antigo Banco Máxima para gerar fluxo de caixa.
O senador expressou desconforto com a operação realizada em sua casa às 6h, mas afirmou que decisões judiciais devem ser cumpridas. Ele ressaltou que ainda é um momento de investigação, sem acusações concretas, e que não há motivo para temer.
Sobre os US$ 55 mil e 33 mil euros encontrados em seus endereços em Brasília e Salvador, Wagner explicou que se tratam de pagamentos de diárias do Senado e da compra de moeda estrangeira para viagens internacionais desde 2019.
"Comprei dinheiro para viajar. Não tenho nada a esconder. O dinheiro estava guardado em um cofre em Brasília, inclusive em um envelope com o timbre do Senado. Nunca recebi dinheiro do Master ou de Augusto Lima", afirmou o senador, rebatendo as alegações da Polícia Federal.
A investigação também aponta que ele teria negociado um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,4 milhões, com Augusto Lima. Wagner negou que tenha recebido o imóvel como propina e disse que a negociação foi privada para ajudar sua filha.
"O apartamento está em construção. Eu queria ajudar minha filha a comprar um, e pedi a Augusto Lima para recomprá-lo depois. Não houve transferência de patrimônio para mim, e não tenho relação com o Master ou o Credicesta", declarou.
Wagner comentou que Lula ligou para ele mais cedo para expressar solidariedade pela operação e indicou que não deve ser removido da liderança do governo no Senado.
"A liderança do governo é responsabilidade do presidente Lula. Falei com ele hoje e acho difícil que ele mude minha posição, dada a relação que temos e a confiança que ele deposita em mim. Ele fez questão de me ligar e se solidarizar", completou.
Segundo Wagner, Lula disse para ele "ficar firme, isso é uma tentativa de desestabilizá-lo, mas conte com a minha confiança". O senador minimizou o que chamou de "fogo amigo" de correligionários que defendem seu afastamento da liderança.
Wagner também negou ter intermediado qualquer conversa privada entre Lula e Vorcaro ou ter participado da articulação que levou o banqueiro ao presidente em uma reunião fora da agenda oficial em dezembro de 2024.
Apesar da operação, Wagner descartou a possibilidade de ser isolado por Lula devido a riscos de respingos do escândalo do Banco Master nas eleições presidenciais. Ele garantiu que sua candidatura à reeleição ao Senado está mantida e que todo seu patrimônio está declarado no Imposto de Renda, afastando qualquer ligação com os bens e recebimentos mencionados na investigação.
