Em entrevista à BandNews, Jaques Wagner, do PT, negou qualquer relação com Daniel Vorcaro e afirmou que não atuou em benefício do Banco Master no Senado.
Ele também contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou para expressar solidariedade após a operação da Polícia Federal, que teve Jaques como um dos alvos.
As investigações indicam que o senador teria recebido vantagens indevidas, incluindo um apartamento em Salvador (BA) e R$ 3,5 milhões, em troca de sua atuação no Congresso.
Após a entrevista, a assessoria de Jaques Wagner divulgou uma nota afirmando que ele acompanha as investigações da PF com 'tranquilidade' e se coloca à disposição da Justiça para esclarecimentos.
'Eu, várias vezes, viajei para o exterior e fiz levantamento. De 2019 até agora, recebi cerca de US$ 70 mil em diárias e comprei dólares ou euros para essas viagens no Banco do Brasil, onde tenho conta. Não tenho nada a esconder', disse Jaques. Ele afirmou que o dinheiro tem origem declarada e estava em envelopes com o timbre do Senado.
'Estou absolutamente tranquilo em relação ao dinheiro. Nunca recebi nada de ninguém, muito menos do Banco Master ou de Augusto Lima. Estou à vontade', acrescentou Jaques Wagner.
Dados do Portal da Transparência do Senado mostram que, entre 2019 e 2026, o senador Jaques Wagner fez 27 viagens internacionais e recebeu R$ 338,7 mil (US$ 66.830,07) em diárias.
Jaques mencionou que Lula o aconselhou a 'ficar firme'.
Dinheiro apreendido durante a 9ª fase da operação Compliance Zero, em Brasília.
Sobre a conversa com Lula, Jaques Wagner disse que, além de expressar solidariedade, o presidente comentou que estavam tentando desestabilizá-lo.
O senador da Bahia afirmou que, se Lula não o afastar, ele continuará como vice-líder do governo e manterá sua pré-candidatura à reeleição ao Senado.
'O presidente Lula ligou para se solidarizar e reafirmar sua confiança em mim, já que nos conhecemos há 48 anos. Ele disse: 'Fique firme, isso é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com minha confiança', contou Jaques Wagner, que acredita que Lula não o removerá da liderança do governo.
Sobre a compra de um imóvel em Salvador (BA), Jaques Wagner explicou que fez um acordo com o banqueiro Augusto Lima, amigo dele, para que ele comprasse um apartamento que Jaques pretendia recomprar depois, destinado a uma de suas filhas.
Jaques afirmou que o imóvel nunca foi transferido para ele e negou qualquer relação com Daniel Vorcaro.
'O apartamento está em construção no Horto. Eu queria ajudar minha filha a comprar um. Como Augusto Lima é investidor, perguntei se ele poderia comprar e depois eu recompraria, porque ainda não estava pronto', explicou.
'Eu precisaria vender o apartamento da minha filha para complementar o pagamento ou ela financiar. Não houve transferência de patrimônio para mim e eu não tenho, reafirmo, nenhum negócio com o Banco Master ou com o CredCesta', completou.
Jaques Wagner, líder do governo no Senado Federal.
Leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria de Jaques Wagner:
O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. Ele acompanha as investigações com tranquilidade e confia na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado nunca fez parte do patrimônio do parlamentar. Ele também nega ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.
Quanto aos valores apreendidos, a assessoria informa que o montante é resultado de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reafirma que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, acreditando que a verdade prevalecerá.
