O governo britânico deu um prazo até setembro para que as empresas de tecnologia implementem medidas que bloqueiem a produção e circulação de imagens íntimas em celulares e tablets usados por crianças.
Essa proposta foi feita em resposta ao aumento das denúncias de exploração sexual infantil no Reino Unido.
Davi Madorra de São Paulo 8.jun.2026 (segunda-feira) - 15h27
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, do Partido Trabalhista, exigiu que as empresas de tecnologia adotem mecanismos para bloquear imagens de nudez explícita em dispositivos usados por menores. Se as mudanças não forem feitas, o governo planeja criar uma lei para torná-las obrigatórias.
A proposta foi divulgada nesta segunda-feira (8.jul.2026) durante o evento London Tech Week. Segundo Starmer, essa iniciativa tornaria o Reino Unido o primeiro país a impedir que crianças produzam, enviem ou recebam imagens de nudez por meio de dispositivos eletrônicos.
Starmer afirmou que empresas como Apple e Google devem implementar sistemas de detecção de nudez ou outras ferramentas que impeçam menores de registrar, compartilhar ou visualizar imagens sexualmente explícitas. Adultos ainda poderão acessar esse tipo de conteúdo, desde que comprovem sua idade.
"Por muito tempo, as pessoas acreditaram que crianças compartilhando imagens explícitas é apenas um preço da tecnologia moderna – que nada pode ser feito. Que o governo é impotente. Que os pais simplesmente têm que aceitar", disse Starmer.
"Rejeito isso completamente, porque a tecnologia deve se adaptar às necessidades da sociedade, e não o contrário. Se levamos a sério as oportunidades que a tecnologia pode trazer, também devemos levar a sério a prevenção daqueles que querem abusar dela – os predadores online", afirmou o premiê.
Starmer também destacou que as empresas precisam agir para impedir que menores enviem e recebam conteúdo sexualmente explícito: "É por isso que hoje estou apelando às empresas de tecnologia que operam neste país para que implementem controles que impeçam crianças de enviar e receber imagens sexualmente explícitas. Porque este não é um desafio impossível".
A proposta surge em um contexto de aumento das denúncias de exploração sexual infantil no Reino Unido. O governo informou que a Agência Nacional de Combate ao Crime recebe cerca de 1.700 denúncias por semana. No ano passado, nove em cada dez imagens de abuso infantil registradas no país foram produzidas pelas próprias vítimas, muitas vezes enganadas ou coagidas por abusadores que conheceram online.
Os casos de aliciamento online também aumentaram, chegando a cerca de 7.000 por ano, segundo as autoridades britânicas.
A medida foi anunciada cerca de um mês após a saída de Jess Phillips, do Partido Trabalhista, do cargo de ministra da proteção infantil. Ela havia afirmado que o governo não estava avançando em ações para impedir que crianças produzissem imagens íntimas de si mesmas.
A proposta foi elaborada para complementar a Lei de Segurança Online, que obriga plataformas digitais a remover conteúdos ilegais ou prejudiciais a menores.
Atualmente, nem a Apple nem o Google oferecem um bloqueio de nudez que se aplique a todo o sistema operacional. A Apple, no entanto, já exige verificação de idade para acesso a certos serviços no Reino Unido. O Google, por sua vez, começou a detectar e desfocar imagens de nudez em contas infantis, além de emitir alertas quando menores tentam abrir, enviar ou encaminhar esse tipo de conteúdo.
