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Política · 5 min de leitura

Starlink Domina Mercado de Internet em Municípios Rurais do Brasil

A Starlink, operadora de internet via satélite de Elon Musk, lidera com 12,8% do mercado em cidades onde mais de 75% da população vive em áreas rurais, segundo dados da Anatel.

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7 de jun. de 2026
Starlink Domina Mercado de Internet em Municípios Rurais do Brasil

A Starlink, do empresário Elon Musk, se destaca como a principal operadora de internet banda larga nos municípios mais rurais do Brasil. Com 8.731 acessos em cidades onde mais de 75% da população vive em áreas rurais, a empresa representa 12,8% do total de acessos nesses locais, conforme dados da Anatel coletados pelo Poder360.

O crescimento da Starlink está diretamente ligado ao nível de ruralidade das cidades. Em áreas urbanizadas, onde menos de 1% da população vive no campo, a empresa detém apenas 0,4% dos acessos de banda larga fixa. Esse percentual aumenta para 6,9% em municípios com 10% a 25% de população rural e supera 10% em cidades onde pelo menos metade dos moradores reside fora do perímetro urbano.

A Starlink se beneficia em áreas remotas, pois a conexão via satélite exige menos infraestrutura terrestre do que as redes tradicionais. Em regiões isoladas, a instalação de fibra óptica, cabos e torres é escassa ou inexistente. A empresa consegue atender esses municípios apenas com uma antena instalada na casa do cliente, que geralmente é enviada pela própria Starlink.

A tecnologia da Starlink utiliza satélites em órbita baixa, que estão mais próximos da Terra do que os satélites convencionais. A antena do usuário se conecta a esses satélites, que retransmitem o sinal para estações terrestres, integrando a conexão à rede global de internet.

A expansão da Starlink depende dos lançamentos frequentes realizados pela SpaceX, também de Elon Musk, que é responsável por colocar os satélites em órbita. Desde o início de suas operações em 2019, a Starlink já completou 389 missões, conforme levantamento com dados da própria empresa.

Os lançamentos se tornaram mais frequentes nos últimos tempos. Nos dois primeiros anos da Starlink, a SpaceX realizou apenas 16 missões. Em 2026, até 28 de maio, foram 48 missões, o que dá uma média de 2,21 por semana. Em 2025, essa média foi ainda maior, com 2,35 missões por semana.

Cada lançamento coloca cerca de 20 satélites em órbita baixa. Em 5 de maio de 2026, havia 10.296 satélites Starlink em órbita, dos quais 10.280 estavam operacionais, segundo o astrônomo Jonathan McDowell, que monitora a constelação em seu site.

Desde que chegou ao Brasil em fevereiro de 2022, a Starlink cresceu rapidamente e já é a 14ª maior operadora do país. O número de clientes aumentou em média 59% ao mês, enquanto as operadoras tradicionais, que dependem da infraestrutura de fibra óptica, não conseguiram crescer mais de 1% ao mês no mesmo período.

Um dos obstáculos para a adoção da tecnologia é o custo inicial da antena. O kit mini, o mais barato oferecido pela empresa, custa em média R$ 2.000, embora esse valor possa variar, com alguns lugares vendendo a antena por R$ 499,00.

Além disso, a assinatura do serviço custa R$ 189,00 por mês. Em comparação, operadoras tradicionais oferecem promoções de internet residencial por cerca de R$ 100 mensais, muitas vezes sem taxas de adesão.

O alto custo inicial explica o surgimento das chamadas "fazendas de Starlink" em áreas remotas. Nesses locais, várias antenas são instaladas juntas para captar o sinal dos satélites. A capacidade dessas conexões é então concentrada em equipamentos de rede, como roteadores e servidores, que distribuem a internet a um provedor local, que por sua vez leva o serviço a clientes por cabos ou redes sem fio.

Assista aqui ao vídeo de um influenciador mostrando uma "fazenda de Starlink".

Esse modelo transforma conexões individuais em um sistema de revenda de sinal. Em vez de cada morador adquirir sua própria antena, um intermediário reúne várias antenas, amplia a capacidade e vende pacotes de internet para terceiros. Isso pode tornar o acesso mais acessível, mas cria um serviço paralelo de telecomunicações.

Essa prática é irregular se feita sem autorização da Anatel para oferecer serviços de internet. De acordo com as regras do setor, o SCM (Serviço de Comunicação Multimídia) permite a oferta de capacidade de transmissão de dados a assinantes. A Anatel afirma que fornecer capacidade de tráfego de dados sem licença caracteriza exploração clandestina de SCM.

O levantamento foi realizado com dados públicos da Anatel sobre acessos de banda larga fixa. A base inclui os acessos informados pelas prestadoras do SCM, que é a denominação regulatória da banda larga fixa no Brasil. Cada acesso representa uma conexão ativa declarada por uma operadora em um município específico.

Os dados da Anatel, no entanto, diferem dos que a Starlink divulgou. Em janeiro deste ano, a empresa anunciou que tinha 1 milhão de clientes no Brasil, enquanto os registros da Anatel mostravam 704.761 acessos em março de 2026.

Quando questionada sobre essa discrepância, a Anatel indicou que a inconsistência pode ser resultado do envio de informações incorretas pela própria Starlink.

Segundo a Anatel, as prestadoras devem enviar os dados até o dia 15 do mês seguinte ao período medido. Assim, informações de janeiro, por exemplo, precisam ser enviadas até 15 de fevereiro e são publicadas até o fim do mesmo mês. Por esse processo, a Anatel afirma que não há defasagem maior que um mês na medição.

A Starlink foi contatada, mas não respondeu até a publicação desta matéria.

O número de acessos não reflete necessariamente o total de usuários, já que uma mesma conexão pode atender mais de uma pessoa ou domicílio. Além disso, não mede a qualidade da conexão, a velocidade real ou a cobertura territorial da empresa.

Texto adaptado com IA · conteúdo original preservado
Fonte original: poder360.com.br

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