A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra os investigados, que também tiveram os sigilos bancário e telemático quebrados.
8 de junho de 2026 - 19h57
Nesta segunda-feira (8.jun.2026), a Polícia Federal lançou a operação Gemini, mirando um desembargador e um deputado estadual de Mato Grosso, suspeitos de vender sentenças e lavar dinheiro.
Durante a manhã, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em locais relacionados ao desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, ao deputado estadual Faissal Calil (PL-MT) e ao advogado Bruno Castro.
Segundo a PF, eles são investigados por corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. Além disso, tiveram seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados.
Em frente à sua casa, o deputado Faissal Calil disse à imprensa que entregou seu celular e senha à PF e negou qualquer participação no esquema de venda de sentenças.
Faissal, que já foi servidor da Justiça e trabalhou no gabinete do desembargador Dirceu dos Santos, afirmou que não mantém contato com o magistrado.
"Desde que virei deputado, que saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o meu contato", disse ele aos jornalistas.
O advogado Bruno Castro, mencionado como intermediário, afirmou ao g1 que se apresentou espontaneamente para esclarecer a situação ao Conselho Nacional de Justiça e à Procuradoria Geral da República. "Os contatos a mim atribuídos estão descontextualizados e não correspondem à realidade. Jamais solicitei, intermediei ou realizei qualquer tratativa ilícita", declarou.
O Poder360 tentou contatar o advogado por telefone e mensagem para saber se ele gostaria de se manifestar sobre a operação. Foram feitas duas ligações e enviada uma mensagem via WhatsApp em 8 de junho de 2026, às 20h, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja recebida.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso informou que nenhum mandado foi cumprido em sua sede e que o processo está em tramitação no Superior Tribunal de Justiça. O TJ-MT também afirmou que está à disposição para colaborar com as autoridades, se solicitado.
Dirceu dos Santos já enfrenta um processo no Conselho Nacional de Justiça, que o afastou de suas funções no início de março, enquanto investiga movimentações financeiras incompatíveis com o salário de juiz.
De acordo com as quebras de sigilo bancário e fiscal realizadas pelo CNJ, o desembargador movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos, enquanto seus rendimentos oficiais totalizaram R$ 1,9 milhão no mesmo período.
O CNJ identificou indícios de que o magistrado teria proferido decisões em troca de vantagens indevidas, atuando como intermediário em atos decisórios junto a terceiros, como empresários e advogados.
O afastamento cautelar do desembargador não tem prazo definido e deve durar pelo menos até o término das investigações.
O Poder360 tentou contatar a defesa do desembargador Dirceu dos Santos para comentar sobre a operação, mas não conseguiu encontrar um telefone ou e-mail válidos até a publicação desta reportagem. O jornal continuará tentando estabelecer contato e atualizará o texto assim que receber uma resposta.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 8 de junho de 2026, às 12h31. O conteúdo, livre para republicação com a devida citação da fonte, foi adaptado para o padrão do Poder360 e recebeu informações complementares.
